quarta-feira, 5 de setembro de 2012
"Onde você quer chegar?
O Gato apenas sorriu quando viu Alice.
Parecia de boa índole, ela pensou, mas não deixava de ter garras muito longas e um número respeitável de dentes, por isso ela sentiu que devia ser tratado com respeito.
-"Gatinho de Cheshire"... começou um pouco tímida, pois não sabia se ele gostaria do nome,
mas ele abriu mais o sorriso.
- "Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?"
- "Isso depende bastante de onde você quer chegar", disse o Gato.
- "O lugar não me importa muito...", disse Alice.
- "Então não importa que caminho você vai tomar", disse o Gato."
- ... desde que eu chegue a algum lugar", acrescentou Alice em forma de explicação.
- "Oh, você vai certamente chegar a algum lugar", disse o Gato..
"se caminhar bastante"...
[Lewis Carroll - Alice no pais das maravilhas]
quinta-feira, 22 de março de 2012
Alice: Quanto tempo dura o que é eterno?
Coelho: Às vezes, apenas 1 segundo.
[Lewis Carrol]
domingo, 26 de junho de 2011
Alice: "Isso é impossível!"
Chapeleiro: "Somente se você achar que é!"
[Lewis Carroll - Alice no País das Maravilhas]
terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Sim, Alice, abra as portas trancadas.
E não tenha medo de entrar por elas: ter medo é sofrer por antecipação.
Ponha o chapéu certo para cada ocasião e siga em frente.
Não se preocupe se ele não combinar com suas roupas: o importante é proteger a cabeça.
Às vezes, você vai sentir que caiu no chão e o estrondo pode ser bem grande. Além disso, dependendo do tamanho que você tenha, a queda pode machucar muito. Acredite... é uma sensação pior do que encolher...
Quando isso acontecer (é inevitável que aconteça um dia), respire bem fundo e nunca, jamais, culpe a vida. A culpa é do mundo, que gira sempre mais e mais rápido, e pode nos causar tonturas e vertigens.
Não existe fórmula mágica que evite isso.
É só se levantar e recomeçar o caminho de onde estiver.
Deixar-se guiar pelo medo é usufruir apenas do azul num espectro multicor: é tentar achar o caminho olhando para o céu-sem-nuvens-do-sertão, ao meio-dia.
Você vai queimar o nariz e ainda estará perdida.
Se o medo aparecer, coloque-o no bolso, e siga em frente. De vez em quando olhe-o, como a um relógio, mas em seguida guarde-o de novo. Fora do bolso, o medo tende a crescer e
engolir quem o segura. O bolso, Alice, o bolso é o lugar dele, não se esqueça.
E não ache que uma pessoa é só aquilo que mostra ser neste instante, lembre-se: por baixo da tinta, algumas rosas vermelhas são brancas. É só o tempo passar e isso se torna visível. Até com você, Alice.
Até comigo.
Há quem ordene decapitações por todos os lados, é gente que não sabe para que servem
os chapéus. Não se preocupe em excesso com essas pessoas, elas também jogam jogos cheios de regras. Basta que uma regrinha pequena mude e perdem a cabeça, você não precisará cortá-las (sim, Alice, porque as regras estão sempre mudando).
Não tenha medo de falar o que sente: palavras guardadas se liquefazem e, quando você menos esperar, estará se afogando nas suas lágrimas.
Quando amar alguém, diga-lhe isso.
Vou contar uma coisa: existe a chance de, depois de confessar amor, vir a vertigem e a temível queda. Se acontecer, tome chá: faz bem à saúde. Não gosta de chá? Tome café, então. Ou chocolate quente. O importante é ter uma xícara e alguém que acompanhe você: nem podemos imaginar as conversas que duas pessoas podem ter em frente às suas xícaras. E quantos anos a mais de vida terão por isso.
Anotou tudo?
Não se preocupe, o que eu disse não fará sentido algum se você não for capaz de traduzi-lo para sua língua interna.
Nunca ouviu falar nisso?
Ah, você ainda tem muito o que aprender...
Numa sociedade, só se fala a língua nacional em eventos sociais. Mas cada um tem sua língua própria e se expressa nela de si para si.É um idioma muito pessoal, que nos faz compreender as coisas, tirar conclusões, apreender os sentidos ocultos das cores e dos sons.
É uma língua sem palavras, como música de violinos.
Alguns nunca se apercebem dessa verdade e deixam de saber as respostas a muitas perguntas ... Outros passam a vida tentando fazer traduções da língua interna para a língua materna... E escrevem poemas, contos, romances.
São uns loucos, Alice, de uma loucura adorável.
E não ligue se as coisas não fizerem sentido: a vida pode acontecer em recortes...
Agora não sabemos como juntá-los, mas um dia saberemos.
Por isso, Alice, não jogue os retalhos fora, viver é uni-los, um a um."
[Chapeleiro Maluco, "Alice no país das maravilhas", de Lewis Carrol]