"Os homens são como as moedas; devemos tomá-los pelo seu valor, seja qual for o seu cunho."
[Carlos Drummond de Andrade]
Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito, por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias: preciso de todos. Sim, meu coração é muito pequeno. Só agora vejo que nele não cabem os homens. Os homens estão cá fora, estão na rua. A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava. Mas também a rua não cabe todos os homens. A rua é menor que o mundo. O mundo é grande. Tu sabes como é grande o mundo. Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão. Viste as diferentes cores dos homens, as diferentes dores dos homens, sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso num só peito de homem... sem que ele estale. Fecha os olhos e esquece. Escuta a água nos vidros, tão calma, não anuncia nada. Entretanto escorre nas mãos, tão calma! Vai inundando tudo... Renascerão as cidades submersas? Os homens submersos - voltarão? Meu coração não sabe. Estúpido, ridículo e frágil é meu coração. Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas. (Na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem com que homens se comunicam.) Outrora escutei os anjos, as sonatas, os poemas, as confissões patéticas. Nunca escutei voz de gente. Em verdade sou muito pobre. Outrora viajei países imaginários, fáceis de habitar, ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio. Meus amigos foram às ilhas. Ilhas perdem o homem. Entretanto alguns se salvaram e trouxeram a notícia de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias, entre o fogo e o amor. Então, meu coração também pode crescer. Entre o amor e o fogo, entre a vida e o fogo, meu coração cresce dez metros e explode. - Ó vida futura! Nós te criaremos. [Carlos Drummond de Andrade]
[William Merritt Chase, Mrs. Meigs at the Piano Organ, 1883]
"Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia." [Fernando Pessoa , Livro do Desassossego]
"Permaneço firme hoje, pois, antes de mim, outras pessoas lutaram contra as exclusões contra mulheres e crianças. Meu avô sacrificou sua vida pela igualdade feminina. Minha mãe foi uma 'feminista' antes de a palavra sequer existir. Mas quero dizer que a violência contra as mulheres tomou uma nova e mais perversa forma, a partir do cruzamento de duas linhas: as estruturas patriarcais tradicionais e as estruturas capitalistas emergentes. Precisamos pensar nas relações entre a violência do sistema econômico e a violência contra as mulheres. Para ilustrar: intempéries sempre aconteceram. Mas como mostram o superciclone Orissa, os ciclones Nargis e Aila, os furacões Katrina e Sandy, a intensidade e a frequência desses desastres se transformaram com as mudanças climáticas. Na mesma linha, nossa sociedade sempre discriminou crianças meninas. Mas e a epidemia de feticídio feminino? E o desaparecimento de 30 milhões de garotas nem nascidas? Levaram essa discriminação a novas proporções. À violência mais brutal e mais perversa – e relacionada aos processos alavancados pelo modelo econômico."
[Vandana Shiva, nascida em Dehradum, atualmente vive em Nova Délhi, onde lidera o Research Foundation for Science, Technology and Ecology, a filósofa mescla movimentos políticos alternativos, ideais ambientalistas, críticas econômicas, biotecnologia e bioética. Desse amálgama teórico saem suas principais ideias para defender os direitos das mulheres mundo afora]
[Rene Magritte - Les Profondeurs du Plaisir, 1948]
"Superiores pelo amor, mais dispostas a subordinar a inteligência e a atividade ao sentimento, as mulheres constituem espontaneamente seres intermediários entre a Humanidade e os homens."
[Auguste Comte]
"Se tu me amas, ama-me baixinho. Não o grites de cima dos telhados, deixa em paz os passarinhos. Deixa em paz a mim! Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda." [Mário Quintana, Bilhete]
"Se o coração se cansa de querer, para que serve?"
[Mario Benedetti]
Mi táctica es mirarte aprender como sos quererte como sos. Mi táctica es hablarte y escucharte construir con palabras un puente indestructible. Mi táctica es quedarme en tu recuerdo no sé cómo ni sé con qué pretexto pero quedarme en vos. Mi táctica es ser franco y saber que sos franca y que no nos vendamos simulacros para que entre los dos no haya telón ni abismos. Mi estrategia es en cambio más profunda y más simple.
Mi estrategia es que un día cualquiera no sé cómo ni sé con qué pretexto por fin me necesites. [Mario Benedetti, Táctica y Estrategia]
Eu e tu somos esse vento. Não apenas um pedaço do vento dentro do vento, somos o vento todo. Escuta, ouve. Amor. Amor. [José Luís Peixoto, in 'Abraço']
O amor da gente é como um grão Uma semente de ilusão Tem que morrer pra germinar Plantar nalgum lugar, ressuscitar no chão Quem poderá fazer aquele amor morrer, se o amor é como um grão. Morre, nasce trigo... Vive, morre pão. [Drão, Gilberto Gil]
Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo seu nome artístico, Nina Simone (Tryon, 21 de fevereiro de 1933 – Carry-le-Rouet, 21 de abril de 2003) foi uma grande pianista, cantora, ativista dos direitos humanos e compositora americana]
"(...) que é o amor. eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer..." [José Luís Peixoto, in A criança em ruínas]
"No começo Deus criou o mundo e descansou. Então, Ele criou o homem e descansou. Depois, criou a mulher.
Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o Mundo, tiveram mais descanso." [Luis Fernando Veríssimo]
é preciso partir é preciso chegar é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente! [Mário Quintana] 'I Drove All Night' música escrita por Billy Steinberg e Tom Kelly para o cantor estadunidense Roy Orbison. Orbinson gravou a música primeiramente em 1987.
"Quoi que tu fasses L'amour est partout où tu regardes Dans les moindres recoins de l'espace Dans le moindre rêve où tu t'attardes L'amour comme s'il en pleuvait Nu sur les galets On s'envolera du même quai Les yeux dans les mêmes reflets Pour cette vie et celle d'après Tu seras mon unique projet Je t'aimais, je t'aime et je t'aimerai." [Francis Cabrel]
"Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra.
Daqui a pouco vai ser tudo passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco." [Caio Fernando Abreu, Pequenas Epifanias]
O que nos leva a querer passar a vida inteira com alguém é um mistério. Você pode fazer a lista infindável do que mais gosta de sua companhia e do que menos gosta, mas nenhuma vai incluir a chave do relacionamento. É um gesto, uma atitude, uma frase, algo que o toca em particular, que fecha com aquilo que procurava inocentemente desde pequeno. Meu amigo Felipe se apaixonou pelo jeito que a Fernanda colava o brinco quebrado com bonder, mas ele não desconfia até hoje que foi isso. Casou com ela depois de vê-la consertando a minúscula joia debaixo do abajur. Ele briga, discute, discorda da esposa, porém jamais vai se separar. Essa cena despertou uma necessidade incurável da presença dela. É o motivo do apego irascível. Existiu um quebranto, uma hipnose afetiva, talvez ele tenha se projetado no brinco (ela tentará me salvar quando me quebrar), talvez tenha se enamorado das suas concentradas mordidas de lábios. O que posso garantir é que Felipe ficou alucinado de ternura: naquele momento decidiu que ela era a mulher de sua vida. Em seu sangue, gravou o rosto da jovem empenhada em salvar o brinco. Com o piscar das pálpebras, tirou a fotografia fundadora do seu amor, um sudário que preservará seu sentimento toda manhã.
Ele mal sabe que o real motivo de sua emoção está no plastimodelismo da infância. É bem capaz de nunca descobrir. Quando enfrentou catapora aos 10 anos, Felipe suportava sua solidão montando aviões. Grudava as pequenas peças de plástico com cuidado para não borrar a cola e estragar o encaixe. O brinco tornou-se mais um de seus aeroplanos. Já vi gente que se uniu pelo modo de dobrar o guardanapo, pelo modo de morder uma fruta, pelo modo de gritar de susto, pelo modo de amarrar os cadarços. Uma observação mínima acorda o inconsciente para sempre. Quanto maior o amor, mais insignificante a origem. Aceitaremos o cotidiano a dois sem determinar o porquê. Nossa decisão está baseada apenas na intuição. Um movimento nos ofereceu segurança para seguir em frente e aceitar o relacionamento. Minha namorada tampouco supõe o começo de sua paixão por mim. Inacreditavelmente, ela me ama pela forma em que tiro a camiseta. Com ambas as mãos, pelas costas, agarrando o tecido pela gola. Ela acha o gesto protetor, viril, maiúsculo. As mulheres se despem pela frente, de baixo para cima, levantando a blusa devagar e ritmado. Como a maior parte dos homens, sou abrupto. Puxo a camiseta com força, livro-me dela, como um animal arrancando a pele. Chega a ser cômico. E eu pensava que havia conquistado sua afeição com poemas. [Fabrício Carpinejar, publicado no jornal Zero Hora, 15/01/2013]
[William James Glackens, Natalie in a Blue Skirt, 1914]
"Impossível enquadrar o que lateja,
o que arde,
o que grita dentro de nós."
[Clarice Lispector]
"O problema de um relacionamento nunca é o ciúme, é a indiferença. O amor é justamente misturar defeitos e qualidades e se humanizar violentamente, então eu faço a defesa do ciúme. Se a gente tem a capacidade de legitimá-lo, de aceitá-lo, ele acaba ajudando no relacionamento. O ciúme correspondido ajuda o amor, mas se isolado ele acaba virando suspeita, porque quem o sente acabará encontrando uma maneira de correspondê-lo."
[Fabrício Carpinejar]
Quem não mentiu por ciúme? Quem não falou a verdade por ciúme? Ciúme pode aumentar o amor. Ciúme pode arrebentar o amor. Foi pelo ciúme que descobri que amava. Foi pelo ciúme que descobri que odiava. O ciúme tranquiliza. O ciúme atormenta. Por ciúme cometi a mais imprudente declaração. Por ciúme cometi o pior dos vexames. O ciúme é o agente infiltrado. Dois patrões ( a virtude e o defeito), dois empregos (a paixão e o desespero), dois salários ( o início e o fim). É um cargo fantasma. Recebe por fora. Trafica informações para a paranóia e neurose. Mantém a loucura atenta. Exerce contrabando nas calçadas de casa, soltando quinquilharias nos tapetes do corredor. Vende artigos pirateados e fornece notas fiscais falsas. (...) [Fabrício Carpinejar, trecho da crônica 'Ciúme e Ciúmes', do livro Canalha!, Editora Bertrand Brasil]
De que são feitos os dias? De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças. Entre mágoas sombrias, momentâneos lampejos: vagas felicidades, inactuais esperanças. De loucuras, de crimes, de pecados, de glórias do medo que encadeia todas essas mudanças. Dentro deles vivemos, dentro deles choramos, em duros desenlaces e em sinistras alianças... [Cecília Meireles In Canções]
"Matar, a forma mais alta de amar, matar em nós a vontade de matar, voltar a matar a vontade, matar, sempre, matar, mesmo que, para isso, seja preciso todo o nosso amar." [Paulo Leminski in: La Vie en Close]
__________Não sou completa. Completa lembra realizada. Realizada é acabada. Acabada é o que não se renova a cada instante da vida e do mundo. Eu vivo me completando, mas falta um bocado!_____ [Clarice Lispector]
"No mistério do sem-fim equilibra-se um planeta. E, no planeta, um jardim, e, no jardim, um canteiro; no canteiro uma violeta, e, sobre ela, o dia inteiro, entre o planeta e o sem-fim, a asa de uma borboleta."
Era uma vez uma menina, de olhos negros e longas tranças no cabelo.
Como todas as meninas, gostava de brincar com bonecas, em castelos e contos de fadas, inventando príncipes e princesas, reinos de magia, bolas de algodão doce e céus azuis pejados de arco-iris.
A infância era feliz.
Todas as infâncias deveriam ser assim, felizes.
Com tempo para brincadeiras, correrias nos pátios da escola, sorrisos abertos.
Aquela menina possuía no entanto… um dom especial.
No recanto seguro do seu quarto, pintava pedras.
Grandes, pequenas, de todas as formas e feitios. Aprendera a gostar das pedras, tal como aprendera a gostar de pintar, observando a mãe, quando esta se perdia no jardim, falando com as flores.
Como era linda, a sua mãe.
E como gostava de a desenhar, de memória, de olhos fechados, rabiscando na folha de papel os traços meigos do seu rosto.
Naquele momento, as suas mãos seguravam duas pequenas pedras, estranhamente iguais a dois corações. Encontrara-as à beira do rio, encostadas uma à outra.
Quando reparou nelas, foi como se um vento súbito lhe varresse a alma de uma cor límpida, como se de repente a primavera tivesse entrado sem pedir licença a ninguém. Apanhou-as, cheia de cuidado.
Agora… agora as duas pequenas pedras, os dois pequenos corações fitavam-na, pousados sobre a mesa de madeira do quarto, a tinta vermelha ainda por secar, brilhantes.
Uma seria para si.
Guardá-la-ia sempre junto ao coração.
A outra… sempre tivera um destino certo para ela…
Pouco depois, descia as escadas a correr, um embrulho a chocalhar com uma pequena pedra colorida dentro, um vistoso laço vermelho por fora.
- Mãe…. Mãe… - ia gritando - onde estás? Tenho aqui uma prenda para ti… onde estás?
Nota: Para a Gislene, uma daquelas raras pessoas que sabe contagiar os outros.
"A caridade é um exercício espiritual... Quem pratica o bem, coloca em movimento as forças da alma."
Esperança...
Mahatma Gandhi
"A fé - um sexto sentido - transcende o intelecto sem contradizê-lo."
Carl Sagan
"Somos, cada um de nós, uma multidão. Dentro de nós existe um pequeno universo."
Por Chico Xavier
"A aceitação é a chave através da qual acharemos forças para suportarmos as provações."
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"Uma mulher se aproxima de Chico, e reclama das amarguras da vida. Então, ele diz: Minha filha, vida doce demais dá diabetes."
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"Lembra-te de que falando ou silenciando, sempre é possível fazer algum bem."
Vida
Clarice Lispector
"Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho."
"As coisas mais simples da vida são as mais extraordinárias, e só os sábios conseguem vê-las."
CHICO XAVIER
"Sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente."
Soneto da Fidelidade
"De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure."
[Vinícius de Moraes]
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