domingo, 12 de maio de 2013

VERDADES E MENTIRAS SOBRE AS MÃES

domingo, 12 de maio de 2013
[Vincent van Gogh - Girassóis -c- 1888]


Mãe é mãe: mentira. 
Mãe foi mãe, mas faz um tempão. Agora mãe é jogadora de basquete, é top model, é atriz, é superstar. Mãe, além disso, é pediatra, cozinheira, lavadeira, psicóloga, motorista. Também é política, tirana, ditadora, não tem outro jeito. Mãe é pai. Sustenta a casa, fuma charuto e está jogando um bolão. Mãe é irmã: empresta as roupas, vai a shows de rock e disputa namorado com a filha. Mãe é avó: pode ter um neto da mesma idade que seu filho. Mãe é deputada, é sem-terra, é destaque em escola de samba, é guarda de trânsito, é campeã de aeróbica. Só não é santa, casta e pura, a não ser que você acredite em milagres. Mãe foi mãe, agora é mãe também. 

Mãe é uma só: mentira. 
Todas as crianças que têm uma avó presente e participativa, de certa forma, têm duas mães. Empregadas que vivem na casa da família desde o nascimento até o casamento da garotada também merecem o título de mães de criação. Hoje foram substituídas por babás que, mesmo sem criarem os laços afetivos de antigamente, continuam sendo de uma ajuda valiosa. Uma médica que salve uma vida, uma fisioterapeuta que corrija uma deficiência, uma advogada que liberte um inocente, todas são um pouco mãe. A própria Camille Paglia, que conhece o instinto maternal só de fotografia, admitiu numa entrevista que lecionar não deixa de ser uma forma de exercer a maternidade. O certo seria: mãe, todos têm pelo menos uma. 

Ser mãe é padecer no paraíso: mentira. 
Que paraíso, cara-pálida? Paraíso é o Taiti, a Grécia, Bora-Bora, onde criança não entra. Estamos falando da vida real, que é ótima, muitas vezes, e aborrecida, quase sempre. Quanto a padecer, bobagem. Tem coisas muito piores do que acordar de madrugada no inverno para amamentar o bebê, trocar fraldas e fazer arrotar. Por exemplo? Ficar de madrugada esperando o filho adolescente voltar da festa de um amigo que você nunca ouviu falar, num sítio que você não tem a mínima ideia onde fica. 

Maternidade, missão de toda mulher: mentira. 
Maternidade não é serviço militar obrigatório. Deus nos deu um útero mas o diabo nos deu poder de escolha. Filhos, melhor não tê-los, mas se não os temos, como sabê-los? Vinícius de Moraes, que era homem, tinha as mesmas dúvidas. Não tê-los não é o problema, o problema é descartar essa experiência. Eu prefiro não deixar nada pendente para a próxima encarnação e estou vivendo tudo o que acho que vale a pena nesta vida mesmo, que é pequena mas tem bastante espaço. Mas acredito que uma mulher pode ser perfeitamente feliz sem ter filhos, assim como uma mãe padrão, dessas que têm seis crianças agarradas no avental, pode ser feliz sem nunca ter conhecido Paris, sem nunca ter dado um mergulho no mar, sem nunca ter lido um livro. É difícil, mas acontece. 

Mamãe eu quero: verdade. 
Você pode não querer ser uma, mas não conheço ninguém que não queira a sua.

[Martha Medeiros, Verdades e mentiras sobre as mães, maio de 1996. Do livro Topless]

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Nina Dias disse...

Um feliz dia pra você querida Gi! bjs

 
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