segunda-feira, 21 de março de 2011

JESUS CRISTO: A PONTE

segunda-feira, 21 de março de 2011

João 1
1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.
[...]
3 Todas as coisas foram feitas por meio Dele e sem ele nada do que foi feito teria sido.
4 N'Ele estava a vida; e a vida era a luz dos homens.
5 E a luz brilhou na escuridão; e a escuridão não a compreendeu.
6 Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João.
7 Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, e por meio dele todos os homens poderiam acreditar.
8 Ele não era a luz, mas fora enviado para dar testemunho dela.
[...]
11 Ele foi aos seus, mas os seus não o receberam.
12 Mas, a quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no seu nome;
[...]
14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós (e vimos sua glória, como do unigênito do Pai), pleno de graça e verdade.
[...]
16 E de Sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça.
17 Pois a lei foi dada por Moisés, mas a Graça e a Verdade vieram de Jesus, o Cristo.
[...]


Eu falarei do Cristo, mas não do cristianismo. O cristianismo não tem nada a ver com o Cristo. Na verdade, o cristianismo é anticristo — tanto quanto o budismo é antibuda e o jainismo é antimahavira. 

O Cristo tem algo que não pode ser organizado: por sua própria natureza, ele é rebelião, e a rebelião não pode ser organizada. No momento em que você a organiza, você a mata. Então, sobra o cadáver.

Você pode reverenciá-lo, mas não pode ser transformado por um cadáver. Você pode carregar o peso por séculos e séculos, mas ele somente pesará em você. Assim, desde o começo, que isto fique bem claro: eu sou completamente a favor do Cristo, mas nem mesmo uma pequena parte de mim é a favor do cristianismo.

Se você quiser o Cristo, terá de ir além do cristianismo. Se você se apegar demasiadamente ao cristianismo, não será capaz de compreender Cristo. Ele está além de todas as igrejas. 

Cristo é o próprio princípio da religião. Em Cristo todas as aspirações da humanidade são preenchidas. Ele é uma síntese rara. Comumente, um ser humano vive em agonia, angústia, ansiedade, dor e sofrimento.

Se você olhar para Krishna, ele foi para a outra polaridade: ele vive em êxtase. Não sobra nenhuma agonia: a angústia desapareceu. Você pode amá-lo, você pode dançar com ele por um tempo, mas a ponte estará perdida. Você está em agonia, ele está em êxtase — onde fica a ponte?

Um Buda foi ainda mais longe. Ele não está nem em agonia nem em êxtase. Ele está absolutamente tranquilo e calmo. Ele está tão distante que você pode olhar para ele, mas não pode acreditar que ele existe.

Parece um mito — talvez um preenchimento de um desejo da humanidade. Como pode tal homem andar nesta terra, tão transcendental a todas as agonias e os êxtases? Ele está muito distante.

Jesus é a culminação de todas as aspirações. Ele está em agonia — como você, como todos os seres humanos nascem —, em agonia na cruz. Ele está no êxtase que às vezes um Krishna alcança: ele celebra; é uma canção, uma dança.

E também é transcendência. Há momentos em que você chega bem perto dele, em que você vê que seu ser interior não é nem a cruz nem a celebração, mas a transcendência.

Esta é a beleza de Cristo: existe uma ponte. Você pode ir em direção a ele pouco a pouco, e ele pode conduzi-lo na direção do desconhecido — e tão lentamente que você nem terá ciência quando cruzar a fronteira, quando entrar no desconhecido vindo do conhecido, quando o mundo desaparecer e Deus aparecer.

Você pode confiar nele, porque ele é tão parecido com você e, contudo, tão diferente. Você pode acreditar nele, porque ele faz parte da sua agonia — você pode compreender sua linguagem.

Eis porque Jesus se tornou um grande marco na história da consciência. Não é por coincidência que o aniversário de Jesus tenha se tornado a mais importante data histórica. Tinha de ser assim. Antes de Cristo, um mundo; depois de Cristo, passa a existir um mundo totalmente diferente — uma demarcação na consciência humana.

Há tantos calendários, tantos meios, mas o calendário que está baseado em Cristo é o mais significativo. Com ele, alguma coisa mudou no homem: com ele, algo penetrou na consciência do homem. 


[Osho, em "Palavras de Fogo: Reflexões Sobre Jesus de Nazaré"]


Retirado do blog palavras de OSHO

5 bilhetes:

Professora Carla Fernanda disse...

Querida belo post!
Lembrei-me que o valor das coisas não pode ser preso nem dentro das frases. É isso praticar, caminhar na ponte, ir ao encontro e não rituais sem valor....Gostei!!
Beijinhos,
E vou levar seu selinho sim e guardar com carinho na minha "Sala dos Mimos"
Carla Fernanda

José Sousa disse...

Amiga! Deixe que a trate como já á muito tempo nos conhece-se-mos! Pois vim aqui, pela primeira vez e encontrei um post que fala de um Cristo da forma que o imagino. Não do cristianismo, tal como você falou! Tá certo este raciocinio.
Vou seguila, me asiga também.

Um beijão.

Meri Pellens disse...

De fato Cristo é para todos, ultrapassando qualquer denominação. Importa fazê-Lo parte de nossa vida, estejamos onde estivermos (dentro ou fora do cristianismo), Ele próprio vai nos guiando para onde deseja...
Beijo na alma, Gislene!

Flávia M. disse...

Ah Gislene, foi sublime ler isso, obrigada!

Marilí Carvalho disse...

Quando chegamos à sua casa...sentimos paz no espírito!!!
Cristo é tudo!
Fique com Ele, amiga querida!

 
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